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quarta-feira, 21 de setembro de 2016

EXU





Muito se fala a respeito dos Exus, mas pouco se entende. Tendo isto em vista, vamos tentar colocar em palavras mais simples a respeito dos mesmos.

Exus são espíritos que já encarnaram na terra. Na sua maioria, tiveram em encarnações anteriores cometidos vários crimes ou viveram de modo a prejudicar seriamente sua evolução espiritual, sendo assim estes espíritos optaram por prosseguir sua evolução espiritual através da prática da caridade, incorporando nos terreiros de Umbanda.

São muito amigos, quando tratados com respeito e carinho, são desconfiados, mas gostam de ser presenteados e sempre lembrados. Estes espíritos, assim como os Preto velhos, crianças e caboclos são servidores dos Orixás.

Apesar das imagens de Exus, fazerem referência ao "Diabo" medieval (herança do Sincretismo religioso), eles não devem ser associados a prática do "Mal", pois como são servidores dos Orixás, todos tem funções específicas e seguem as ordens que lhe são passadas. Dentre várias, duas das principais funções dos Exus são: a abertura dos caminhos e a proteção de terreiros e médiuns contra espíritos perturbadores durante a gira ou obrigações.

Desta forma estes espíritos não trabalham somente durante a "gira de Exus" dando consultas, onde resolvem problemas de emprego, pessoal, demanda e etc. de seus consulentes. Mas também durante as outras giras (caboclos, preto velhos, ciganos, baianos, etc...), protegendo o terreiro e os médiuns, para que a caridade possa ser praticada.

Exu é Mau?

Muitos acreditam que nossos amigos Exus são demônios, maus, ruins, perversos, que bebem sangue e se regozijam com as desgraças que podem provocar.

Exu é neutro, quem faz o mal são os médiuns que utilizam os Exus para fazerem trabalhos que prejudiquem outras pessoas.

Na verdade, o mal ou o bem como já afirmamos é produto da vontade e da evolução do próprio homem e Exu esta acima do bem e do mal, sentimentos esses pertencentes á evolução humana.


Os negros africanos em suas danças nas senzalas, nas quais os brancos achavam que era a forma deles saudarem os santos, incorporavam alguns Exus, com seu brado e jeito maroto e extrovertido, assustavam os brancos que se afastavam ou agrediam os médiuns dizendo que eles estavam possuídos por demônios.

Com o passar do tempo, os brancos tomaram conhecimento dos sacrifícios que os negros ofereciam a Exu, o que reafirmou sua hipótese de que essa forma de incorporação era devido a demônios.

As cores de Exu, também reafirmaram os medos e fascinação que rondavam as pessoas mais sensíveis.


De um texto extraído do livro: “ O Guardião da Meia- Noite” podemos ter a ideia de quem é Exu:

“Não derrubo quem não merece,  nem elevo quem não fizer por merecer;
Não traio ninguém, mas não deixo de castigar um traidor;
Não castigo um inocente, mas não perdoo um culpado;
Não dou a um devedor, mas não tiro de um credor;
Não salvo a quem quer perder-se, mas não ponho a perder quem quer salvar-se;
Não ajudo a morrer quem quer viver, mas não deixo vivo quem quer matar-se;
Não tomo de quem achar, mas não devolvo a quem perder;
Não pego o poder do Senhor da Luz, mas não recuso o poder do Senhor das Trevas;
Não induzo ninguém a abandonar o caminho da Lei, mas não culpo quem dele se afastar;
Não ajudo quem não quer ser ajudado, mas não nego ajuda a quem merecer;
Sirvo à Luz. Mas também sirvo às Trevas.
No meu reino eu mando e sei me comportar.
Não peço o impossível, mas dou o possível.
Nem tudo que me pedem eu dou, mas nem tudo que dou é porque me pediram.
Só respeito a Lei do Grande, da Luz e das Trevas e nada mais.”

                                                                                Laroyê Exu !

Fonte:  Texto de Pérolas da Macumba.  
Espero  mais uma vez através desse texto simples e esclarecedor ter contribuído para uma melhor explanação sobre o assunto.

                                                                            Abraços fraternais

                                                                       Pai Josimar da Capadócia




quarta-feira, 14 de setembro de 2016

A POLVORA... por: Adalberto Pernambuco Nogueira


Transcrevo abaixo uma postagem  preciosa  e esclarecedora sobre a origem da pólvora e o seu uso  pelos Afro Umbandista, datada de 1994, de autoria de Adalberto Pernambuco Nogueira, na época Presidente de União de Umbanda do Rio Grande do Sul, sem alterar ou corrigir a linguística do mesmo, conservando-o em sua total originalidade:




                                                                 A PÓLVORA

Por Adalberto Antônio Pernambuco Nogueira (in memoriam)
Presidente da União de Umbanda (Porto Alegre/RS)
Trechos publicados em duas edições no Jornal JOCAB (meados de 1994) 

O  chamado  ponto-de-fogo,  um  dos  mais  utilizados  recursos  da Umbanda  e  dos  Cultos  Africanos,  é  o efetuado com a pólvora e para finalidades as mais  diversas.
 Seu uso  na Magia Negra é bastante difundido  e os feiticeiros o utilizam em suas investidas contra seus adversários ou suas vítimas.
A pólvora é também conhecida por fundanga ou tuia e a sua fabricação pode ser caseira ou industrializada. A diferença  entre  uma  e  outra  é  idêntica  a  dos  defumadores ou  banhos  de  ervas  colhidas  e  os  comprados  em firmas  especializadas,  isto  é,  nestas  falta-lhes  o  preparo  mágico  indispensável  e  a  dosagem  exata  de  seus componentes o que, por vezes, impede seja atingido o fim colimado.
Fundanga  é  uma  expressão  de  origem  kimbundo  e  seu  significado,  naquele  idioma,  é  exatamente,  pólvora.
Quanto a tuia, ainda que por sua morfologia nos afigure palavra de origem indígena é oriunda do ioruba tuyo que significa expelir, deslocar para fora.
A  palavra  representativa  de  pólvora  nos  idiomas  indígenas,  somente  a  fomos  encontrar  no  tupi  e  é  uma palavra arcaica e obsoleta na Umbanda, pois jamais ouvimos sequer um caboclo solicitar mocacui para seus trabalhos, dando preferência, invariavelmente, às expressões de origem africana.
A  pólvora  é  um  elemento  de  Magia  ambivalente  prestando-se,  destarte,  à  serviços  para  o  Bem  e  o  Mal.  É, pois, por sua potência, um dos recursos mais utilizados pelos feiticeiros para o enfeitiçamento de pessoas ou coisas  tendo,  ainda,  o  inusitado  dom  de  transmitir  ou  conferir,  a  quem  quer  que  seja,  todo  o  poder  que  sua utilização  seja  feita  com  a  estrita  obediência  dos  preceitos  de  Magia  e  independentemente  do  fim  a  que  se destina.
Tais  fatores,  conjugados,  nos  levam  à  conclusão  de  que  todos  os  trabalhos  com  pólvora  exigem  uma concentração  e  precaução  extraordinárias.  Daí  o  porquê    devam  ser  feitas  por  entidades,  na  sua  quase totalidade Exus, ou quando considerarem oportuno, delegarem poderes a um médium especializado para sua execução. 

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O primeiro nos impulsiona constantemente para a frente e para o alto nos dá ânimo e pertinácia em todos os nossos  passos,  nos  concede  o  ardor,  a  iniciativa,  o  espírito  de  luta,  a  vontade  e  a  capacidade  de  satisfazer nossos  desejos  atingindo  o  objetivo  de  nossas  aspirações  mas, em  troca,  nos  oferece  a  inquietude,  a inconstância  e  o  amor  às  mudanças  e  novidades,  a  impulsividade  que  nos  leva  a  ações  inconsequentes, recolhendo frutos  não  amadurecidos  e  perdendo  os  melhores  e  mais  compensadores  resultados  de  nossos esforços.
O segundo, é aquele que nos tolhe e nos traz desenvolvimento, fazendo-nos introspectivos, nos causa medo e a  reflexão,  nos  leva  a  cingir-nos  e  a  fixar-nos  tanto  no  erro  quanto  na  verdade,  nos  hábitos  viciosos  e virtuosos, nos torna fiéis e perseverantes, firmes em nossa vontade e tenazes esforços, e nos capacita a atrair aquilo  para  o  que  estamos  interiormente  sintonizados  pelos  nossos  pensamentos,  convicções  e  aspirações.
Em  contraposição,  nos  acarreta  a  desilusão  e  o  discernimento,  nos  afasta  das  mudanças  e  de  toda  ação irreflexiva, porém, também, de todo progresso, esforço e superação.
Apresenta-nos,  agora,  o   terceiro   componente,   o   carvão,   inteiramente   distinto   dos   demais,   pois   sua propriedade primordial é a fácil absorção dos fluidos de quaisquer naturezas. Assim sendo, todas as emoções astrais  são  por  ele  retidas  e,  por  isso,  desembaraça  os objetos  materiais  dos  fluidos  de  que  se  encontram impregnados.
Sua  ação  intermediária,  neste  sentido,  se  caracteriza  pela  lentidão  e  segurança,  e  o  fato  de  agir  em  estado natural  obrigam-nos  a  conjurá-lo  quando  em  seu  uso  em  trabalhos de  Magia,  a  fim  de  limpa-lo  dos  maus fluidos de que, porventura, esteja impregnado.
Hermeticamente,  o  carvão,  em  seu  estado  natural  é  o  símbolo  da  Constância  e,  em  combustão,  do  Fervor, isto porque, neste estado, consegue dissolver o mais duro dos metais.
O estudo acurado dos elementos componentes da pólvora e da dualidade de suas funções, inerentes a tudo  o que  existe  no  Universo,  é  suficiente  ao  iniciado  para  saber  onde,  quando  e  como  usa-la  e,  ao  Mago,  para possibilitar-lhe  o  conhecimento  de  seus  efeitos  malévolos  contra  indivíduos  e  coisas,  se  utilizada  no  campo da Magia do Mal, assim como aquilatar o poder e os conhecimentos de quem a empregou.
De  tudo  o  que  dissemos,  deduz-se  que  a  pólvora  jamais  deve ser  queimada  dentro  de  casas  ou  ambientes fechados e sim, próxima a aberturas, pois o recinto fechado não permite a evaporação das camadas deletérias por ela deslocadas em sua explosão, o que determinará o sobre carregamento do ambiente de novos resíduos, estes já oriundos de sua ação.
Apesar  de  ser  a  pólvora  a  força  máxima  pra  limpeza,  seu  uso  deve  ser  restrito  a  casos  da  mais  absoluta necessidade e, além dos cuidados já arrolados no presente trabalho, sob a responsabilidade do Guia-Chefe ou de  seu  preposto,  com  o  auxílio,  é  evidente,  das  falanges  trabalhadoras  ou  evocadas.  Outros sim,  jamais poderemos  iniciar  sua  combustão  senão  com  fósforos  pelo  mão-de fogo,  ou  charutos,  no  caso  de  entidades incorporadas. Em hipótese alguma utilizaremos a chama de velas para tal fim e, muito menos, isqueiros.
Concluindo, queremos frisar que algumas casas, face aos solertes ataques que são dirigidos à nossa Religião, taxada  de  primitiva,  mercê  de  seus  rituais,  vêm  abolindo  o uso  da  tuia  às  vezes  até  em  choque  com  as instruções emanadas dos Guias. A estas acometidas podemos antepor o uso dos fogos nas procissões e festas católicas, principalmente nas de São João, Pedro e Antônio e que, em suma, nada mais representam que uma queima, semelhante aos seus efeitos, ao nosso ponto-de-fogo.
Ademais,  quando  o  Astral  Inferior  que  envolve  nosso  Planeta com  suas  densas  camadas,  encontra-se sobrecarregado de cascões, vampiros, magos negros, corpos astrais de animais, formas de pensamento maus, de  criação  consciente  ou  inconsciente,  artificiais  humanos  e  invólucros  vitalizados,  estes  da  mais  alta periculosidade  e  utilizados  nos  trabalhos  de  Vodu,  o  Alto,  em sua  Eterna  Sabedoria,  envia  violentos temporais cósmicos, onde os efeitos luminosos da queima da pólvora cumbem, pela eletricidade cósmica, de limpar o ambiente. É claro que tais tormentas, tão bem descritas por André Luiz, chegam até nós sob a forma de cataclismos materiais que, em que pese a violência de que se revestem, nada mais são que meros reflexos dos originais.
Então  o  fogo  produzido  pelas  descargas  elétricas  age  sobre  os componentes  da  pólvora  desanuviando  o  ar pesado e tenso acumulado durante o longo período que as antecedeu.
A  descarga  da  pólvora  que  efetivamente  nada  mais  é  que  um  insignificante  arremedo,  no  Microcosmo,  dos recursos  utilizados  pelo  Poder  Universal  com  idênticas  finalidades,  é  claro,  as  enormes  proporções  que  o separam do Macrocosmo.
Ao  encerrarmos,  voltemos  à  tecla  que  jamais  cansaremos de  acionar:  se  o  irmão  não  estiver  devidamente preparado, se  não possuir o axé  de  mão-de-fogo  e, principalmente, se  não  encontrar previamente autorizado por nossos Grandes Mestres  ouça nosso conselho  e  não se arrisque  inutilmente a  executar vaidosamente um trabalho  de tal  monta. Se o  fizer, estará em  idêntica situação de um  motorista que, ansioso para mostrar sua habilidade  e  competência,  não  se  peja  em  pôr  em  risco não  apenas  sua  vida,  mas,  o  que  é  mais  grave,  a  de todos  que  o  acompanham  em  seu  veículo.  E,  se  alguma  vez  sentir-se  tentado  a  faze-lo  que,  nesta  hora, ressoem em seus ouvidos a Curimba de Fogo, a fim de alerta-lo sobre o erro em que incindirá: 

Só queima tuia quem pode queimá
Meu ponto é seguro, não deve falhá
Só manda fogo quem pode mandá
Meu ponto é seguro, meu Pai Oxalá 

Caso, no entanto, esteja capacitado a faze lo, que Oxalá o permita, nunca sua mão se aproxime de um ponto-de-fogo  com  intenções  outra  as  que  não  a  de  trazer  benefício  aos  seus  semelhantes.  Que  sua  conduta  seja reta,  sua    acendrada  e  a  confiança  em  seus  conhecimentos inabalável.  Que  o  irmão  aprove,  sempre    em todas as oportunidades, que é um verdadeiro portador do axé de fogo. Saravá.
Espero mais uma vez ter contribuído para uma melhor explanação sobre o assunto.

                                                       Abraços fraternais

                                                    Pai Josimar da Capadócia.

quinta-feira, 18 de agosto de 2016

O ALTAR SAGRADO DA UMBANDA (Congá)




O congá é o mais potente aglutinador de forças dentro do terreiro: é atrator, condensador, escoador, expansor, transformador e alimentador dos mais diferentes tipos de energias e magnetismo. Existe um processo de constante renovação de axé que emana do congá, como núcleo centralizador de todo o trabalho na umbanda.

Cada vez que um consulente chega à sua frente e vibra em fé, amor, gratidão e confiança, renovam-se naturalmente os planos espiritual e físico, numa junção que sustenta toda a consagração dos orixás na Terra, na área física do templo.

Vamos descrever as funções do congá: atrator: atrai os pensamentos que estão à sua volta num amplo magnetismo de recepção das ondas mentais emitidas.

Quanto mais as imagens e elementos dispostos no altar forem harmoniosos com o orixá regente do terreiro, mais é intensa essa atração. Congá com excessos de objetos dispersa suas forças.

Condensador: condensa as ondas mentais que se “amontoam” ao seu redor, decorrentes da emanação psíquica dos presentes: palestras, adoração, consultas etc.

Escoador: se o consulente ainda tiver formas-pensamentos negativas, ao chegar à frente do congá, elas serão descarregadas para a terra, passando por ele (o congá) em potente influxo, como se fosse um para-raios.

Expansor: expande as ondas mentais positivas dos presentes; associadas aos pensamentos dos guias que as potencializam, são devolvidas para toda a assistência num processo de fluxo e refluxo constante.

Transformador: funciona como uma verdadeira usina de reciclagem de lixo astral, devolvendo-o para a terra; alimentador: é o sustentador vibratório de todo o trabalho mediúnico, pois junto dele fixam-se no Astral os mentores dos trabalhos que não incorporam.

Todo o trabalho na umbanda gira em torno do congá. A manutenção da disciplina, do silêncio, do respeito, da hierarquia, do combate à fofoca e aos melindres, deve ser uma constante dos zeladores (dirigentes).

Nada adianta um congá todo enfeitado, com excelentes materiais, se a harmonia do corpo mediúnico estiver destroçada; é como tocar um violão com as cordas arrebentadas.

Caridade sem disciplina é perda de tempo. Por isso, para a manutenção da força e do axé de um congá, devemos sempre ter em mente que ninguém é tão forte como todos juntos.
Agradecimentos a Umbanda Amada.
                                                            Saravá Umbanda
                                                              O    AUTOR

 



terça-feira, 16 de agosto de 2016

BANHOS DE ERVAS DA UMBANDA (Descarrego)





Para cada pessoa e cada objetivo, um banho de descarrego ou de ervas específico. Por isso, atenção! Crianças não devem ser banhadas com materiais pesados como sal grosso, cachaça ou determinadas ervas, nunca se deve esfriar de forma artificial a água das ervas de banho e nunca se deve banhar a cabeça das crianças.
O poder do banho de ervas na umbanda
Os banhos fazem um bem enorme ao nosso humor e a alma quando tiramos um dia na semana pra tomar um simples banho um pouco mais longo. Se você não faz isso há algum tempo ou nunca fez, experimente! Tire um dia para cuidar da pele com calma, lavar bem os cabelos e usar aqueles produtos que às vezes não conseguimos usar corretamente na correria do cotidiano.
Tire também o dia certo para usufruir o poder dos banhos de ervas da umbanda. Alguns dos mais populares banhos de ervas da umbanda são o banho de rosa, o banho de alecrim e o banho de camomila.
Banhos de limpeza astral com rosas e ervas de Oxalá, Iemanjá e Oxum para crianças.
Crianças que ficam muito agitadas sem razão aparente, por longos períodos e com dificuldades em dormir podem se beneficiar de banhos de limpeza de alecrim da horta (planta de Oxalá) . O banho deve ser tomado quase frio do pescoço para baixo.
O banho de pétalas de rosas brancas (Iemanjá) é alternativa para crianças doentes que utilizam os banhos de rosas como alternativa de tratamento, sem nunca deixar de consultar também os médicos da terra, claro!
O banho de limpeza de camomila (Planta de Oxum) é excelente para restabelecer forças espirituais e afastar mal olhado. Indicado a crianças que ficam apáticas e sem energia sem motivo aparente.
Regras para banhos de limpeza e banhos de rosas para crianças.
Banho de rosas brancas para acalmar crianças que estão agitadas sem motivo
Nunca fazer banho de descarrego (sal grosso, cachaça, fumo, alimentos) em crianças;
Nunca aplicar o banho de limpeza  ou banho de rosas quentes ou mornas. Deve ser sempre o mais frio possível, a temperatura ambiente. Nunca guardar o banho ou usar geladeira para resfriar mais rápido ou conservar para usar outro dia.
Colocar a água para o banho (1 litro) para ferver e só depois colocar as ervas ou rosas e desligar o fogo em seguida. Essas são ervas muito delicadas, assim como as pétalas das rosas e não podem ser fervidas. Basta desligar o fogo e abafar alguns minutos. Depois retirar a tampa coar e deixar esfriar até o momento de tomar o banho. Do pescoço para baixo.
No caso do banho de rosas, jogar somente as pétalas na água fervente e desligar o fogo. Abafa alguns minutos, deixe esfriar, coar e toma o banho frio. Do pescoço para baixo.
Bebês de colo ou crianças muito novas, com menos de 01 ano devem ser levadas para passes espirituais e não devem fazer uso de banhos de limpeza.
Banho de descarrego com 7 ervas
Este banho de descarrego com 7 ervas sagradas pode ser utilizado para aliviar tensões astrais além de renovar as boas energias promovendo limpeza espiritual.
Este é um dos banhos de descarrego mais poderosos e que pode ser feito por qualquer pessoa interessada em fazer uma limpeza espiritual e renovar as boas energias astrais.
Folhas para banho de descarrego do orixá maior Oxalá
Alguns sugerem 7 ervas diferentes dependendo da corrente religiosa, mas de um modo geral; todos concordam que as 7 ervas utilizadas no banho de descarrego devem  ser usadas do pescoço para baixo, para um banho completo.
Portanto; para um banho de descarrego completo que fecha o corpo afastando as energias negativas, utilizamos preferencialmente as ervas do orixá maior – Oxalá.
A vassourinha é a única erva que foge a regra e pertence a Oxum, mas é uma erva sagrada importante, pois ‘varre’ as larvas astrais. Todas essas ervas podem ser usadas por qualquer pessoa sem nenhuma restrição.
Poderoso Banho de descarrego com 7 ervas sagradas
Manjericão pertence a Oxalá
Ingredientes: utilizar o correspondente a uma mão cheia da erva fresca e nunca folhas secas para medida de cada uma das ervas.
Manjericão – pertence a Oxalá -
Arruda – pertence a Oxalá
Alecrim – pertence a Oxalá
Malva-Branca – pertence a Oxalá
Malva Rosa – pertence a Oxalá
Manjerona – pertence a Oxalá
Vassourinha – pertence a Oxum
Cuidados durante a preparação do banho de descarrego
•Para este banho você não poderá cozinhar as ervas e sim macerar cada uma com a água fria. Lembre-se que este banho de descarrego com 7 ervas não vai ao fogo!
•O banho de descarrego com 7 ervas  deve ser preparado pelo menos 1 hora antes de ser tomado.
•O banho de descarrego com 7 ervas deve ser preparado em uma vasilha de louça ou metal para concentrar as energias das *ervas*.
•O banho de descarrego com 7 ervas não deve se usado quando a mulher está menstruada e pode ser usado por gestantes.
Como preparar e tomar o banho de descarrego?
Macerar as ervas, uma a uma; em 2 litros de água e deixar descansar por pelo menos 1 hora.
Depois retirar o excesso de folhas do banho de descarrego e reservar.
Tome um banho de chuveiro normalmente, inclusive lavando a cabeça. Ao final; depois de desligado o chuveiro, jogue lentamente sobre o pescoço o banho de descarrego com 7 ervas, mentalizado a purificação espiritual e pedindo graças ao seu guia espiritual.
Não secar com toalha, deixar secar ao natural.
Depois de tomar o banho de descarrego…
As ervas que sobram devem ser descartadas em mata ou aos pés de uma árvore. Nunca descarte no lixo!
Algumas pessoas gostam de acender uma vela para o anjo da guarda depois de tomar um banho de descarrego. Minha sugestão é acender uma vela branca ao lado de um copo com água mentalizando boas energias e limpeza espiritual.
O Banho de descarrego com 7 ervas deve ser empregado com um intervalo mínimo de 15 dias entre um banho e outro.
7 ervas sagradas e seus orixás
Alecrim – Pertence a Oxalá. Entra em qualquer obrigação de cabeça dos filhos de qualquer orixá. Bastante emprego nos rituais de defumação, banho de descarrego. É parte indispensável do ‘ebó’. Eficiente destruidor de larvas astrais. O Chá é empregado para combater tosses e bronquites com sucesso.
Arruda – Planta de odor bem forte que pertence a Oxossi e Exu. Muita usada contra maus fluídos, inveja, olho grande, e para benzimentos. A variedade do orixá Oxossi, com folhas miúdas; aplica-se nos borí, lavagem de contas (guias), e banhos de limpeza ou descarrego. O uso medicinal é contra verminoses e reumatismo em chás, e o sumo aplica-se para reduzir feridas.
Bambu – Pertence a Iansã e Egun. Muito aplicada como enfeite nas casas de Egun nas festas. Poderoso defumador contra larvas astrais, fazendo mistura com palha ou bagaço de cana. Excelente banho contra perseguição de obsessores ou maus espíritos. Na medicina popular é utilizado nas diarreias e perturbações do estômago.
Camomila – Pertence a Oxalá e Oxum. Aplicação em banhos de descarrego e no “abo”. Na medicina popular tem larga utilização em chás reguladores dos intestinos; estimula o apetite.
Cana de açúcar – Pertence a Exu. Planta muito importante nos rituais. Seja o bagaço ou o produto, o açúcar, são amplamente utilizadas em defumações para melhoria das condições financeiras, misturando com pó de café virgem, cravo da índia, e canela em pó.
Girassol – Pertence a Oxalá. Utiliza-se em qualquer obrigação de cabeça, no ‘abo’ e banhos de descarrego. Tem muito prestígio em defumações, pois é poderoso anulador de fluidos negativos e destruidora de larvas astrais. Nas defumações usam-se as folhas e nos banhos colocam-se também as pétalas colhidas antes do nascer do sol.
Romã – Erva Sagrada pertencente a Iansã. As folhas são utilizadas em banhos de descarrego. A medicina popular emprega o cozimento das cascas dos frutos para o combate de vermes e o mesmo cozimento para gargarejos nas inflamações de garganta e da boca.
Para atrair amizade e amor
1- Coloque em 1 litro de água filtrada 3 pedras de carvão, 13 gotas de um perfume à base de rosas, jasmim, ou flores do campo, e jogue do pescoço para baixo. Deixe os carvões em uma esquina e peça ajuda as entidades Exu ou Pomba Gira.
2- Ferva 1 litro de água. Extraia o sumo de 21 folhas de tangerina, coloque na água e acrescente, misturando bem, uma colher de café de açúcar. Tomar do pescoço para baixo.
3- Erva-doce em grão, em folhas ou em 1 saquinho, 1 litro de água, pétalas de 1 rosa vermelha 3 estrelas de aniz. Tomar do pescoço para baixo.
4- Folhas de erva-doce, casca de maçã,  1 aniz estrela, 1 pau de canela. Tome este banho durante 3 dias do pescoço para baixo.
5- Cascas de laranja, pétalas de rosas coloridas e manjericão. Tomar do pescoço para baixo. Este banho pode ser tomado em outros dias do ano para atração de novas amizades.
Banho de atração de amor e casamento
Três folhas de louro, três de alecrim e três pétalas de rosa cor de rosa, ou cravo branco, colocar na água (1 litro) quando estiver fervendo e desligar o fogo. Peça ao seu anjo da guarda união, casamento.
Banho para abrir os olhos da pessoa amada
Se você não existe para aquela pessoa que você paquera há muito tempo esse é o banho infalível para atrair seu amor:
Para as mulheres: Sete rosas cor-de-rosa, sete gotas de baunilha jogar em 1 litro de água fervente e desligar o fogo.  Deixe esfriar e coe os resíduos e depois deixá-los na praça, praia ou jardim para Pomba gira mentalizando o nome da pessoa amada no momento da oferenda. Se quiser pode acender uma vela branca para o exu da pessoa amada.
Para homens: Erva-doce, casca de 1/2 maçã vermelha, 1 estrela de anil e 2 rosas vermelhas jogar em 1 litro de água fervente e desligar o fogo. Tome este banho antes das 18h. Deverá coá-lo antes de o tomar. Os restos, deixe perto de uma árvore. Pode comer metade da maçã e pedir o que desejar, até mesmo amigos fiéis. Ofereça a outra metade às Entidades a quem você pediu e deixe na árvore junto com os restos do banho. Se quiser pode acender uma vela branca para a entidade.

Agradecimentos a Umbanda Amada.

                                          Saravá umbanda, Saravá o mestre maior !


                                                                  O    AUTOR

sábado, 12 de dezembro de 2015

O BATUQUE NO RIO GRANDE DO SUL


 Para um entendimento mais facilitado, teremos que traçar uma linha na África na altura do Golfo de Benin, onde encontraremos ao Sul os Bantos, que cultuavam além dos Orixás os espíritos dos antepassados mortos (é sabido que em Benguela, na Angola, existia um culto chamado de "orodere" semelhante ao conhecido "espiritismo", se compararmos hoje, a religião que cultua Orixás e espíritos de antepassados é a Umbanda, com seus pretos-velhos, caboclos e Orixás. Já ao Norte encontramos nosso alvo, os negros Sudaneses, que cultuavam os Orixás como os meios de ligação entre os homens e o Deus maior, Olorum, características da Nação, Batuque.
Para o Rio Grande do Sul desceram os negros da Costa da Guiné ou Nigéria, com suas Nações: Jeje, Ijexá, Oyó e Nagô. Como a escolha de ficar juntos ou não, não pertencia aos negros, estes eram misturados nos navios, havendo assim uma união de Nações, destacando-se suas peculiaridades. Nascendo assim outras nações: Jeje-Ijexá, Jeje-Oyó, Jeje-Nagô, e assim por diante.
Não podemos dar uma data certa ao nascimento do primeira Casa de Nação no Estado, mas segundo o professor e amigo Norton Corrêa, existem várias suposições que nos fazem chegar a mais ou menos 150 anos atrás, onde os documentos da época nos mostram que na Região de Rio Grande (entrada oficial de negros no Estado), existia uma grande concentração de negros livres, inclusive Nordestinos, este último fato não podemos desprezar, pois as semelhanças entre o Batuque e o Xangô de Pernambuco são muito grandes.

Batuque

O Batuque é um culto afro-brasileiro (por que não dizer afro-gaúcho), com influência sudanesa, onde são cultuados 12 Orixás. Os Orixás são espíritos naturais, a própria encarnação da natureza, que se utilizam do Cavalo-de-Santo para se manifestar na terra, trazendo suas características sob influência da Mãe Natureza. Estes Orixás são: Bará, Ogum, Iansã, Xangô, Odé, Otim, Ossanha, Obá, Xapanã, Oxum, Iemanjá e Oxalá. Podemos dividir estes Orixás em dois grandes grupos: os Azedos, de Bará até Xapanã e os Doces de Oxum a Oxalá, características estas que são representadas em suas oferendas e manifestações na terra, os azedos ao se manifestarem são mais bruscos e levam em suas frentes ou oferendas o Epô (azeite de dendê), já os doces quando chegam no mundo são suaves e na sua grande maioria mais velhos e o mel é o que melhor os representa, neste enfoque.
Ainda encontramos outros subgrupos identificados em alguns Orixás com o primeiro nome, seguido de um segundo, como por exemplo:
Bará:
Bará Legba, Bará Lodê, Bará Lanã, Bará Adaqui e Bará Agelú
Ogum:
Ogum Avagã, Ogum Onira, Ogum Olobedé e Ogum Adiolá
Iansã:
Iansã, Oiá Timboá e Oiá Dirã
Xangô:
Xangô Agandjú de Ibedji, Xangô Agandjú e Xangô Agogô
Xapanã:
Xapanã Jubeteí, Xapanã Belujá, Xapanã Sapatá
Oxum:
Oxum Pandá de Ibedji, Oxum Pandá, Oxum Demun, Oxum Olobá e Oxum Docô
Iemanjá:
Iemanjá Bocí, Iemanjá Bomí e Nanã Borocum
Oxalá:
Oxalá Obocum, Oxalá Olocum, Oxalá Dacum, Oxalá Jobocum e Oxalá de Orumiláia.
Estes segundos nomes dos Orixás poderemos explicar como se em nossa vida terrena, fosse uma classificação por idade ou até mesmo sua área de atuação. Existem ainda um terceiro nome que cada Orixá identifica no jogo de Búzios, este nome passa a ser a identificação secreta, que cabe apenas ao Pai-de-Santo, ao filho e ao Orixá obviamente, ficando o Orixá com três nomes: como por exemplo Bará Lodê Beí, este terceiro é o segredo. Os Orixás que não possuem a subdivisão, o segredo passa a ser o segundo nome, exemplo: Ossanha Ossí
Assim como nomes, cada Orixá tem seu tipo de ave, seu tipo de animal de quatro patas e seu tipo de oferenda.
O Orixá sem ser em festas ou obrigações, se comunica com seus fiéis através do Ifá (jogo de Búzios), utilizando as mãos e intuição de um pai ou mãe-de-santo. O jogo de Búzios é a principal, eficaz e mais rápida ferramenta, de sabermos sobre o mundo, necessidades de homens e dos próprios Orixás, a fim de melhorar o andamento das coisas.
Toda pessoa ao nascer recebe um Orixá na cabeça, outro no corpo, este casamento de Orixás, da cabeça com o corpo, denominamos de Adjuntó, e em alguns casos nas pernas, pés e assim por diante, este Orixá é visualizado quando é jogado os búzios pelo Pai-de-Santo, que também ficará sabendo, normalmente neste jogo, se esta pessoa necessitará fazer alguma Obrigação religiosa ou apenas um simples trabalho, não tendo que se comprometer mais a fundo com a Religião.
A Família Batuqueira
Dentro de uma Casa de Religião (Batuque) encontramos uma verdadeira família, como as de padrão convencional. Em primeiro lugar encontramos o Pai ou Mãe-de-Santo, posição máxima, esta pessoa que através das ordens do seu Orixá de cabeça, organiza e aconselha a vida religiosa e muitas vezes material de seus filhos-de-santo, que são irmãos entre si, os irmãos-de-santo do Pai ou da Mãe, são os tios e assim por diante, como em nossa família.

                                                                              Josimar da Capadócia